| Osvaldo Aranha | |
| Governador do Rio Grande do Sul |
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| Mandato: | de 9 de outubro de 1930 a 27 de outubro de 1930 |
| Precedido por: | Getúlio Vargas |
| Sucedido por: | Sinval Saldanha |
| Nascimento: | 15 de fevereiro de 1894 Alegrete, Rio Grande do Sul |
| Falecimento: | 27 de janeiro de 1960 Rio de Janeiro |
| Partido político: | PRR |
| Profissão: | advogado |
Osvaldo Euclides de Sousa Aranha[1] (Alegrete, 15 de fevereiro de 1894 — Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1960) foi um político e diplomata brasileiro.
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editar Biografia
editar Primeiros anos
Cursou, no Rio de Janeiro, o Colégio Militar e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Também estudou em Paris antes de advogar em seu estado natal e de ingressar na política.
Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre "chimangos" (aliados de Borges de Medeiros - presidente da província) e "maragatos" (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas e lutou a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros.
Em 1925, foi intendente de Alegrete. Então, introduziu muitas modernizações, como, por exemplo, a excelente rede de esgotos da cidade. Com sua peculiar diplomacia, conseguiu a paz entre as famílias separadas pelos conflitos políticos de 1923.
Dois anos mais tarde era eleito deputado federal. Em 1928, tornou-se secretário do Interior, onde dedicou grande esforço para obras educacionais.
editar Projeção nacional
Amigo e aliado de Getúlio Vargas, foi o grande articulador da campanha da Aliança Liberal nas eleições, agindo nos bastidores para organizar o levante armado que depôs Washington Luís e tornou realidade a Revolução de 1930.
Em vista da vitória do movimento, Osvaldo Aranha negocia com a Junta Militar, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas. Posteriormente, foi nomeado ministro da Justiça e, em 1931, ministro da Fazenda. Neste cargo, promoveu o levantamento de empréstimos que os estados e municípios haviam contraído no estrangeiro, no período anterior a 1930, tendo em vista a consolidação global da dívida externa brasileira.
Alijado do processo político para a escolha do interventor em Minas Gerais, Osvaldo Aranha pediu demissão do cargo em 1934. No mesmo ano, aceitou o cargo de embaixador em Washington.
Nesse período como embaixador, se impressionou com a democracia estadunidense. Atuou sempre em defesa das relações brasileiras com os Estados Unidos e se tornou amigo pessoal do presidente Roosevelt. Prestigiado no cargo, foi convidado para palestras em todo o país.
Demitiu-se do cargo de embaixador por não aceitar os caminhos que o Brasil traçara com a declaração do Estado Novo, em 1937. Em março de 1938, é convencido por seu amigo Vargas a assumir o ministério das Relações Exteriores e, no cargo, lutou contra elementos germanófilos dentro do Estado Novo, em busca de maior aproximação com os Estados Unidos, no conturbado período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Sob sua direção, o Itamaraty sofreu grandes reformas administrativas.
editar Projeção internacional
No processo de envolvimento brasileiro à Segunda Guerra Mundial, Aranha teve papel fundamental, representando no governo a ala pan-americanista, defendendo uma aliança com os Estados Unidos sempre em oposicão aos chefes militares, capitaneados, principalmente pelo ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, que eram partidários de uma aproximação com a Alemanha.
Na Conferência do Rio, em janeiro do 1942, presidida por Osvaldo Aranha, o Brasil, e todos os países americanos decidem por romper as relações com os países do Eixo menos Argentina e Chile, que o fariam posteriormente. A decisão foi uma vitórias das convicções pan-americanas de Aranha.
Em 1944, Aranha se demite do cargo de chanceler, após ser enfraquecido dentro do governo e pelo fechamento da Sociedade dos Amigos da América, do qual era vice-presidente. Para muitos observadores da época, Aranha era o candidato natural nas eleições de 1945, mas a parca base política e a fidelidade a Vargas o impediram de disputar as eleições.
Voltou a cena política em 1947, como chefe da delegação brasileira na recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). Presidiu a II Assembléia Geral da ONU que votou pela partilha da Palestina, fato que rendeu a Aranha eternas gratidões dos judeus e sionistas por sua atuação.
Em 1953, no segundo governo Vargas, voltou a ocupar a pasta da Fazenda e introduziu reformas com o objetivo de estabilizar a situação caótica econômica que o país enfrentava. Com a morte do amigo Vargas, Osvaldo Aranha se retira do governo e passa a dar atenção aos seus negócios pessoais e à advocacia. No governo Juscelino Kubitschek, retorna à ONU, à frente da delegação brasileira, para fechar com êxito sua carreira política.
Na noite do dia 27 de janeiro de 1960, Osvaldo Aranha faleceu em sua residência. Sua morte causou grande comoção tanto no Brasil como no mundo. Seu enterro, acompanhado por milhares de pessoas, reuniu os maiores nomes da política brasileira, entre eles o presidente Juscelino Kubitschek (que, inclusive, foi um dos que carregaram o caixão de Aranha), Tancredo Neves e Horácio Lafer.
editar Acervo
Membro de uma família tradicional do Brasil do século XIX, herdou dos pais o gosto pelos livros. Leitor compulsivo, adorava escrever cartas e teve discursos e conferências publicados. Entre seus autores prediletos estavam Victor Hugo, Eça de Queiroz, Joaquim Nabuco, Machado de Assis e, embora não fosse positivista, gostava de ler as obras do filósofo Augusto Comte.
Um trabalho minucioso de análise de seu acervo de livros é realizado pelos professores da Universidade da Campanha de Alegrete, no Rio Grande do Sul. Ao todo são contabilizados 11.485 volumes em sua biblioteca pessoal. Os professores pretendem delinear um novo perfil da personalidade histórica de Oswaldo Aranha: "Com este vasto acervo é possível contar e recontar a história deste político e diplomata", afirma um dos responsáveis pelo projeto de preservação da biblioteca particular de Oswaldo Aranha, localizada no prédio do Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, na cidade de Alegrete.
As obras do jurista Rui Barbosa, estadista e ministro da Fazenda da República, aparecem com destaque em seu acervo. Inicialmente com 4.585 livros, o acervo foi doado pelo próprio Aranha em 1942, para mais tarde, 1962, mais de 7 mil exemplares de obras variadas virem a ser doados pela família do ex-ministro. Além disso, também compõe o acervo mais de mil recortes de jornais, feitos a pedido do diplomata, sobre o que saia na imprensa a seu respeito: estes recortes integram o acervo do Museu Oswaldo Aranha, também em Alegrete. Entre as preciosidades do acervo está a coleção do jornal A Federação (1884-1937), órgão oficial do partido Republicano Rio-grandense, autografada pelo líder federalista Joaquim Francisco de Assis Brasil, inimigo de Borges de Medeiros, de quem Aranha era defensor.
No momento está em produção um documentário de longa-metragem sobre a vida e a obra de Oswaldo Aranha. O filme "Oswaldo Aranha - O Voto e a Revolução" é escrito e dirigido por Julio Wohlgemuth e produzido pela "Animatógrafo Cinema e Vídeo" de Brasília, DF. A previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2008. Mais informações no endereço: juliowohlgemuth.blogspot.com
Notas
- ↑ O nome do biografado era escrito Oswaldo Euclydes de Souza Aranha na ortografia arcaica. Segundo o formulário ortográfico em vigor o correto é Osvaldo Euclides de Sousa Aranha.
editar Referência
"Tesouros de Oswaldo Aranha" por Dagoberto Souto Maior (Jornalista), Rio de Janeiro (RJ), março de 2007.
editar Ligações externas
| Precedido por Getúlio Vargas |
Governador do Rio Grande do Sul 1930 |
Sucedido por Sinval Saldanha |
| Precedido por Afrânio de Melo Franco |
Ministro da Justiça e Negócios Interiores do Brasil 1930 — 1931 |
Sucedido por Joaquim Maurício Cardoso |
| Precedido por José Maria Whitaker |
Ministro da Fazenda do Brasil 1931 — 1934 |
Sucedido por Artur de Sousa Costa |
| Precedido por Mário de Pimentel Brandão |
Ministro das Relações Exteriores do Brasil 1938 — 1944 |
Sucedido por Pedro Leão Veloso |
| Precedido por Horácio Lafer |
Ministro da Fazenda do Brasil 1953 — 1954 |
Sucedido por Eugênio Gudin |
| Precedido por João Cleofas de Oliveira |
Ministro da Agricultura do Brasil 1954 |
Sucedido por Apolônio Jorge de Faria Sales |
