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Revolução Constitucionalista de 1932

Soldados paulistas em trincheira em Silveiras
Data 9 de Julho de 1932 - 2 de Outubro 1932
Local Todo estado de São Paulo e algumas partes de Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul
Resultado Vitória Militar das Tropas federais Vitória Política dos Revoltosos
Combatentes
Tropas paulistas

Tropas mato-grossenses
Tropas gaúchas

Voluntários de outros estados
Exército Federal

Força Pública de Minas Gerais
Força Pública do Rio Grande do Sul

Forças Públicas de outros estados
Comandantes
Pedro de Toledo
Vespasiano Martins
Euclides Figueiredo
João Neves da Fontoura

Júlio de Mesquita Filho
Bertoldo Klinger
Borges de Medeiros

Artur Bernardes
Getúlio Vargas
Góis Monteiro
Forças
Tropas Paulista:40.000

Tropas Gaúchas:450

Tropas Mato grossenses:5.000
Forças Armadas:100.000
Baixas
Tropas paulista:634-2.000

Tropas Gaúchas:200

Tropas Mato Grossenses:desconhecido
Não há estimativa dos números de soldados federais mortos

A Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 32 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido no Brasil entre Julho e Outubro de 1932, onde o estado de São Paulo visava à derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e à instituição de um regime constitucional após a supressão da Constituição de 1891 pela Revolução de 1930.

Atualmente, o dia 9 de julho que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução de 1932 como o maior movimento cívico de sua história.

Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último grande conflito armado ocorrido no Brasil.

No total, foram 85 dias de combates, (de 9 de julho a 2 de outubro de 1932), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2.200 mortos, sendo que inúmeras cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido ao combates.

Índice

História

Contexto

Na primeira metade do século XX, o Estado de São Paulo vivenciou um acelerado processo de industrialização e enriquecimento devido aos lucros da lavoura de café e à articulação da política do café-com-leite, pela qual se alternavam na presidência da República políticos dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais.

Em meio à grave crise econômica devido à Grande Depressão de 1929, que derrubara os preços do café, ocorreu a eleição de 1 de março de 1930 para presidente da república, em que o paulista Júlio Prestes, governador de São Paulo, candidato pelo Partido Republicano Paulista, foi eleito presidente.

Em São Paulo, Júlio Prestes teve 90% dos votos válidos, sendo que os votos dados a Getúlio Vargas em São Paulo deveram-se ao apoio dado pelo Partido Democrático de São Paulo.

Júlio Prestes não tomou posse, pois ocorreu, em outubro de 1930, a Revolução de 1930. Getúlio Vargas assumiu o poder, colocando fim à supremacia política de São Paulo e Minas Gerais no governo federal e instalando no Brasil uma ditadura. Minas Gerais, porém, apoiou a Revolução de 1930 e a ditadura de Getúlio Vargas.

Júlio Prestes e o presidente Washington Luís e vários outros apoiadores de Júlio Prestes foram exilados na Europa e os jornais que apoivam Júlio Prestes foram destruídos (na época se dizia empastelados), entre eles, a Folha de S. Paulo e o Correio Paulistano.

Getúlio nomeou interventores para o governo dos Estados, sendo que para São Paulo foi designado o tenente, promovido a coronel, pela Revolução de 1930, João Alberto Lins de Barros, considerado pelas oligarquias como "forasteiro e plebeu" e também chamado de O pernambucano, pelo povo paulista.

O Partido Democrático que apoiara Getúlio Vargas em São Paulo, conseguindo para Getúlio, 10% dos votos paulistas nas eleições de 1 de março, não conseguiu indicar o interventor federal em São Paulo.

Para o comando da 2ª Região Militar, de São Paulo, foi designado o general Isidoro Dias Lopes e para o comando da Polícia Militar (então chamada de Força Pública), foi nomeado pela ditadura, o major Miguel Costa. Ambos tinham tentado derrubar o governo paulista na Revolução de 1924. Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública por causa de suas ações em 1924. Isidoro Dias Lopes, porém, passou para o lado dos paulistas e foi um dos comandantes da Revolução de 1932.

Após a derrota de São Paulo em 24 de outubro de 1930, quando triunfou a Revolução de 1930 e foi deposto o presidente em exercício de São Paulo Heitor Penteado, o estado foi governado por:

Antecedentes do movimento

Cartaz do movimento contra a ditadura getulista
Cartaz do movimento contra a ditadura getulista

Em 1932 a irritação dos paulistas com Getúlio Vargas não cedeu com a nomeação de um paulista, Pedro Manuel de Toledo, como interventor do Estado, pois tanto este quanto Laudo Ferreira de Camargo (que havia renunciado por causa da interferência dos tenentes no governo), não conseguiam autonomia para governar.

Começou-se, então a tramar-se um movimento armado visando à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas, sob a bandeira da proclamação de uma nova Constituição para o Brasil.

As interferências da ditadura no governo de São Paulo eram constantes, não se deixando os interventores formarem livremente seu secretariado, nem do Chefe de Polícia de São Paulo. Pedro de Toledo não governava de fato, as interferências de Miguel Costa, Osvaldo Aranha, João Alberto Lins de Barros, Manuel Rabelo e Pedro Aurélio de Góis Monteiro eram constantes.

o político Paulo Nogueira Filho descreve João Alberto Lins de Barros e Miguel Costa como pessoas que "se arvoravam como donatários de São Paulo".

Júlio Prestes acreditava, já em 1931, que a situação da ditadura estava se tornando insustentável, e declarou, no exílio, em Portugal:

O que não compreende é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado!
Júlio Prestes

A primeira grande manifestação dos paulistas foi um mega comício, na época se dizia meeting, na Praça da Sé, no dia do aniversário de São Paulo em 25 de janeiro de 1932, com um público estimado em 200.000 pessoas. Em maio de 1932, ocorreram vários comícios constitucionalistas.

O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São Paulo, que antes apoiara a Revolução de 1930, uniram-se na Frente Única para exigir o fim da ditadura do "Governo Provisório" e uma nova Constituição. Assim, São Paulo inteiro estava contra a ditadura.

Multidão reunida em protesto ao assassinato dos estudantes em São Paulo
Multidão reunida em protesto ao assassinato dos estudantes em São Paulo

Os paulistas consideravam que o seu Estado estava sendo tratado pelo Governo Federal, que se dizia um "Governo Provisório", como uma terra conquistada, expressão de autoria de Leven Vanpré, governada por tenentes de outros estados e sentiam, segundo afirmavam, que a Revolução de 1930 fora feita "contra" São Paulo, pois Júlio Prestes havia tido 90% dos votos dos paulistas em 1930.

O estopim da revolta foi a morte de cinco jovens no centro da cidade de São Paulo, assassinados a tiros, por partidários da ditadura, pertencentes à "Legião Revolucionária", criada por João Alberto Lins de Barros e orientada pelo Major Miguel Costa, em 23 de maio de 1932.

Pedro de Toledo tentara formar um novo secretáriado, independente de pressões dos tenentes, quando chegou a São Paulo Osvaldo Aranha, representando a ditadura, querendo interfir na formação do novo secretariado. O Povo quando ficou sabendo, saiu as ruas, houve grandes comícios e passeatas, e no meio do tumulto, a multidão tenta invadir a séde da "Legião Revolucionária". Ao subirem as escadarias do edifício, são recebidos a bala.

A morte dos jovens deu origem a um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC, atualmente denominado oficialmente de MMDCA:

  1. Mário Martins de Almeida (Martins)
  2. Euclides Bueno Miragaia (Miragaia)
  3. Dráusio Marcondes de Sousa (Dráusio)
  4. Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo)
  5. Orlando de Oliveira Alvarenga (Alvarenga)


O dia 23 de maio é sagrado em São Paulo como o Dia do soldado constitucionalista.

Esse fato levou à união de diversos setores da sociedade paulista em torno do movimento de constitucionalização. Neste movimento, liderado pelo MMDC, tanto se uniu o PRP e Partido Democrata, chamados, pela ditadura, de "oligarquia" e que pretendiam a volta da supremacia paulista e do PRP ao poder, quanto segmentos que desejavam a implantação de uma verdadeira democracia no Brasil, mais ampla que a democracia da Constituição de 1891.

A revolução e suas conseqüências

Em 9 de julho eclodiu o movimento revolucionário, com os paulistas acreditando possuir o apoio de outros Estados, notadamente Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do sul de Mato Grosso, para a derrubada de Getúlio Vargas.

Pedro de Toledo, que ganhara forte apoio dos paulistas, foi proclamado governador de São Paulo e foi o comandante civil da revolução constituionalista.

Cartaz convocando os paulistas às armas
Cartaz convocando os paulistas às armas

Foi lançado uma proclamação da "Junta Revolucionária" conclamando os paulistas a lutarem contra a ditadura. Formavam a Junta Revolucionária, Francisco Morato do Partido Democrático, Antônio de Pádua Sales do PRP, Generais Bertoldo Klinger e Isidoro Dias Lopes. O general Euclides Figueiredo assumiu a 2º Região Militar.

Alistaram-se 200.000 voluntários, sendo que estima-se que destes, 60.000 combaterem nas fileiras do Exército constitucionalista.

No Estado, a Revolução de 1932, contou com um grande contingente de voluntários civis e militares e o apoio de políticos de outros Estados, como Borges de Medeiros, Artur Bernardes e João Neves da Fontoura. No atual Mato Grosso do Sul foi formado um estado independente que se chamou Estado de Maracaju, que apoiou São Paulo.

São Paulo esperava a adesão do interventor do Rio Grande do Sul, o estado mais bem armado, mas este na última hora decidiu enviar tropas não para apoiar São Paulo, mas para combater os paulistas.

O movimento estendeu-se até 2 de outubro de 1932, quando foi derrotado militarmente.

Observe-se que, em 9 de julho, Getúlio Vargas já havia estabelecido eleições para uma Assembléia Nacional Constituinte e que já havia nomeado um interventor paulista - as duas grandes exigências de São Paulo. porém a interferência do governo federal e dos tenentes em São Paulo continuava forte.

Estes atos do Governo Provisório, porém, não evitaram o conflito, já que o que a elite paulista realmente almejava voltar a dominar a política nacional, como fazia anteriormente, reparando a injustiça de Júlio Prestes não ter tomado posse em 1930, e dar uma constituição ao Brasil e terminar com as interferências da ditadura no governo de São Paulo.

Era especialmente humilhante para São Paulo a nomeação do major Miguel Costa para comandante da Polícia Militar de São Paulo, então chamada de Força Pública, pois Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública em 1924 por tentar derrubar o governo paulista na Revolução de 1924.

Porém o término da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte quando a mulher votou pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras.

Na versão do governo, a revolução de 1932 não era necessária pois as eleições já tinham data marcada para ocorrer. Segundo os paulistas, não teria havido redemocratização no Brasil, se não fosse o Movimento Constitucionalista de 1932.

O crime mais bárbaro, ocorrido durante a Revolução de 1932, ocorreu na cidade de Cunha onde as tropas da ditadura torturaram e mataram o agricultor Paulo Virgínio, por este se recusar a dizer onde estavam as tropas paulistas. Paulo Virgínio foi obrigado a cavar sua própria sepultura e morreu dizendo:

Morro mas São Paulo Vence!
Paulo Virgínio

Paulo Virgínio, junto com os jovens do MMDC, está enterrado no ponto central do Mausoléu do Ibirapuera.

Getúlio, terminada a revolução de 1932, se reconcilia com São Paulo, e depois de várias negociações políticas, nomeia um civil e paulista para interventor em São Paulo: Armando de Sales Oliveira, participando, mais tarde, em 1938, pessoalmente da inauguração da avenida 9 de julho em São Paulo.

Durante o Estado Novo, os dois interventores federais em São Paulo saíram das hostes do Partido Republicano Paulista: Adhemar Pereira de Barros (1938-1941) e Fernando de Sousa Costa (1941-1945) que havia sido secretário da agricultura do Dr. Júlio Prestes.

O movimento armado

Cartaz de convocação para Enfermeiras Voluntárias paulistas
Cartaz de convocação para Enfermeiras Voluntárias paulistas

Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. 40 mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de 100 mil soldados.

Os planos paulistas previam um rápido e fulminante movimento em direção ao Rio de Janeiro pelo Vale do Paraíba, com a retaguarda assegurada pelo apoio que seria dado pelos outros estados.

Porém, sem o apoio dos outros estados o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil[1]. Comandados por Pedro de Toledo, aclamado governador revolucionário, e pelo general Bertoldo Klinger, as tropas paulistas se viram lutando em três grandes frentes: o Vale do Paraíba, o Sul Paulista e Leste Paulista.

O estado de São Paulo, apesar de contar com mais de quarenta mil soldados, estava em desvantagem. Por falta de apoio de outros estados, São Paulo se encontrava num grande cerco militar.

Como as fronteiras do Estado foram fechadas, não havia como adquirir armamento para o conflito, fora do país, assim muitos voluntários levaram suas próprias armas pessoais e engenheiros da Escola Politécnica do Estado (hoje EPUSP) e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) passaram a desenvolver armamentos a serem produzidos pelo próprio Estado para suprir as tropas.

No teste de um novo canhão, um acidente matou o Comandante da Força Pública, Coronel Júlio Marcondes Salgado. Uma das armas mais sofisticadas feitas pela indústria paulista foi o trem blindado, usado na campanha militar no Vale do Paraíba.

São Paulo criou moeda própria, que foi falsificada pela ditadura e distribuída na capital paulista para desestabilizar a economia do Estado. O dinheiro paulista era lastreado pelo ouro arrecadado pela campanha "Ouro para o bem de São Paulo", também chamado de "Ouro para a vitória".

Veículo construído em chassi caminhão Chevrolet com torre giratória para metralhadora.
Veículo construído em chassi caminhão Chevrolet com torre giratória para metralhadora.

Também foram compradas armas nos EUA, mas o navio que as transportava foi apreendido. Houve muita falta de munição, o que levou os paulistas a inventarem e usarem um aparelho que imitava o som das metralhadoras, chamado de "matraca".

Houve intensa mobilização através do rádio, uma novidade na época, onde se destacou César Ladeira da Rádio Record. Usou-se muita propaganda e contra-propaganda ideológica por parte da ditadura que acusava São Paulo de estar nas mãos do facismo italiano trazido pelos imigrantes. Eram recrutados, pela ditadura, brasileiros de outras regiões para combaterem São Paulo dizendo-lhes que São Paulo queria se separar do Brasil.

A ditadura colocava elementos infiltrados em reuniões e comícios em São Paulo que pregavam o derrotismo e o desânimo da população.

Frentes de Combate

Vale do Paraíba

Soldados paulistas no Túnel da Mantiqueira
Soldados paulistas no Túnel da Mantiqueira

Principal acesso para o Rio de Janeiro, o vale do Rio Paraíba do Sul era visto pelos paulistas como teatro principal da guerra.

A estratégia paulista previa a conquista da cidade fluminense de Resende (que chegou a ser bombardeada por sua artilharia), e apoiado por tropas mineiras, a marcha em direção à cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, com a falta de apoio de Minas Gerais, as tropas paulistas demoraram a se mover em direção a Resende e logo se viram defendendo seu próprio território das tropas federais.

Os combates mais importantes se deram na região do Túnel da Mantiqueira que divide São Paulo de Minas Gerais e que era considerado um ponto militar estratégico de grande importância.

O terreno acidentado do vale do Paraíba e a existência de diversas cidades levaram a um combate encarniçado entre as tropas, porém a superioridade de tropas e armamentos das forças de Vargas logo levaram à ocupação de diversas cidades paulistas do vale do Paraíba, como Lorena e Cruzeiro e o recuo das tropas paulistas em direção à capital.

Leste Paulista

Tropas paulistas penetraram no sul de Minas Gerais, atingindo a cidade de Pouso Alegre em julho/agosto de 1932, porém foram repelidas pelas forças federais em direção de Campinas e, após setembro de 1932, cidades paulistas próximas à divisa com Minas Gerais, como Itapira, tendo lutas travadas no Morro do Gravi, Atibaia e Bragança Paulista foram ocupadas pelas tropas fiéis a Vargas.

Tropas revolucionárias paulistas resistindo ao avanço federal em uma casamata no interior do estado.
Tropas revolucionárias paulistas resistindo ao avanço federal em uma casamata no interior do estado.

No alto da Serra da Mantiqueira, num local conhecido com Garganta do Embaú, ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico, bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Os paulistas invadiram a cidade mineira de Passa-Quatro, que foi posteriormente libertada por tropas leais ao Governo Vargas.

Mato Grosso

O grande aliado dos paulistas na Revolução foi outro palco de combates, o estado do Mato Grosso fora até dividido durante a Revolução, com o sul se emancipando como estado de Maracaju. Posteriormente a divisão aconteceu com a criação do Mato Grosso do Sul.

A tropas que deveriam integrar o contingente de São Paulo nunca conseguiram chegar ao destino, ocorrendo duas batalhas principais onde foram impedidos pelos federais; em Porto Murtinho e Coxim.

A luta pelo Porto Murtinho foi o feito mais notável dos mato-grosensses no conflito, houveram batalhas sangrentas pela última esperança da entrada de recursos para São Paulo, já que o Porto de Santos estava sobre bloqueio naval governista. O Porto só fora tomado pelos getulistas no dia 12 de setembro de 1932, mais de 2 meses depois do início da luta.

Sul Paulista

Soldados paulistas fotografados por Claro Jansson em Itararé.
Soldados paulistas fotografados por Claro Jansson em Itararé.

Principal teatro de operações das tropas federais, era o setor mais desguardado do estado de São Paulo, pela crença do apoio que viria do Rio Grande do Sul.

Tropas do sul se posicionaram na divisa de São Paulo e Paraná, próximos a cidade de Itararé. Esta, por um grave erro logístico das tropas paulistas, não foi defendida, tendo estas se retirado para o rio Paranapanema, abrindo quase 150 quilômetros de território paulista para os federais.

Como nas demais frentes, tropas federais, em maior número e mais bem equipadas, ocupam cidades paulistas, com o agravante destas estarem situadas mais ao interior do estado do que nas outras frentes.

Rio Grande do Sul

Apesar da "traição" oficial do governo do estado, alguns gaúchos entraram na luta no próprio Rio Grande. Liderados por Borges de Medeiros um batalhão de cerca 450 homens praticava, utilizando termos atuais, táticas de guerrilha para fixar tropas federais, isto é, atacando destacamentos que partiriam do Rio Grande do Sul para vir reforçar os getulistas contra São Paulo, impedindo-os de chegar nos frontes, principalmente na frente paranaense.

Os revolucionários rio-grandenses tiveram um fim na Batalha de Cerro Alegre, no município de Piratini no dia 20 de setembro de 1932, quando foram mortos mais de duzentos homens das forças constitucionalistas e o líder Borges de Medeiros preso. Infelizmente os feitos destes bravos revolucionários estão quase esquecidos, principalmente pelo fato de não haver apoio oficial do governo, considerado uma grande traição pelos paulistas, criando assim uma rivalidade entre os dois Estados.

O fim do conflito

Em meados de setembro, as condições de São Paulo eram precárias. O interior do Estado era invadido paulatinamente pelas tropas de Vargas e a capital paulista era ameaçada de ocupação. A economia de São Paulo, asfixiada pelo bloqueio do porto de Santos, sobrevivia de contribuições em ouro feitas por seus cidadãos e as tropas paulistas desertavam em números cada vez maiores.

Vendo que a derrota e ocupação do Estado era questão de tempo, as tropas da Força Pública Paulista, atual Polícia Militar de São Paulo são as primeiras a se render, no final de setembro. Com o colapso da defesa paulista, a liderança revoltista se rende em 2 de outubro de 1932 na cidade de Cruzeiro para as forças chefiadas por Pedro Aurélio de Góis Monteiro.

Aviação na Revolução

Prédio destruído por bombardeio aéreo legalista em Campinas, 1932.
Prédio destruído por bombardeio aéreo legalista em Campinas, 1932.

Durante a revolução, a aviação teve um importante papel no conflito, sendo usado pelos legalistas para eventuais bombardeios e ataques a posições rebeldes. Como os dez bombardeios aéreos a Campinas que causo muitos danos e infrastrutura da cidade, que foi de 15 e 29 de setembro de 1932 comandado por major-aviador Eduardo Gomes. Além de outras cidades como Lorena sofreram com ataque em 19 de setembro.

Conseqüências

A epopéia de 1932Monumento em Ribeirão Preto, SP.
A epopéia de 1932
Monumento em Ribeirão Preto, SP.
Monumento em homenagem aos heróis da Revolução no Parque do Ibirapuera, São Paulo.
Monumento em homenagem aos heróis da Revolução no Parque do Ibirapuera, São Paulo.

Terminado o conflito, a liderança paulista se refugia no exílio, enquanto os paulistas computam oficialmente 634 mortos, embora estimativas extraoficiais falem em mais de mil mortos paulistas. Do lado federal nunca foram liberadas estimativas de mortos e feridos. Foi o maior conflito militar da história brasileira no século XX.

A derrota militar entretanto se transforma em vitória política. Ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação em 1934 de uma nova constituição.

Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do Estado, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos. Lembrada por feriado no dia 9 de julho, a revolução é mais fortemente comemorada na cidade de São Paulo do que no interior do estado, onde a destruição e as mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas.

No restante do país, o movimento, assim como a já citada Guerra dos Farrapos, é mais lembrado pela versão imposta pelos vitoriosos, a de uma rebelião conservadora, visando a reconduzir as oligarquias paulistas ao poder e de velado caráter separatista[2].

A preservação da memória e dos ideais de 1932

No feriado estadual de 9 de julho, anualmente se realizam comemorações e desfiles cívico-militares, sendo que o mais importante desfile se realiza no parque do Ibirapuera em São Paulo.

Neste solenidade são depositados no Mausoléu do Soldado Constitucionalista os restos mortais dos veteranos falecidos no ano corrente.

O Exército Constitucionalista ainda existe e é presidido por veteranos de 1932. A Sociedade dos Veteranos de 1932 preserva a memória e documentos e relíquias de 1932.

Bibliografia

Documentos

Ligações externas

Ver também

Referências


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